Quando ainda era menor de idade, por influência das “amizades”, Neumarques Correia Sá teve contato com as drogas pela primeira vez. Começou fumando maconha, passou para a bebida e terminou no crack. Foi quando ele conheceu o fundo do poço e decidiu buscar ajuda.
“Minha vida estava um caos, além de eu estragar a minha, estava prejudicando demais a da minha mãe. Eu me olhava no espelho e me via acabado. As pessoas não respeitam o usuário de drogas, discriminam, eu não conseguia mais arrumar emprego. Eu sofria e minha mãe sofria também”, contou Neumarques.
Ele faz parte da turma de 18 novos homens que concluíram o tratamento de seis meses na Unidade de Acolhimento Adulto de Araguaína, serviço municipal público gratuito voltado para a recuperação de usuários de álcool e outras drogas.
“Aqui nós somos muito bem acolhidos, temos médicos, psicólogos, temos todo o apoio que precisamos. Não existe um lugar no Tocantins igual esse aqui, o tratamento aqui é diferenciado”, reforçou Neumarques.
Acolhimento para o usuário e família
A certificação foi realizada no último domingo, 14 de junho, na sede do serviço e na presença de familiares, amigos e autoridades convidadas. Wagner Enoque, coordenador da UAA, ressaltou que tanto o dependente químico, quanto a família, chegam para o tratamento quase sem esperança nenhuma.
“E é nossa missão resgatar os valores que um dia foram perdidos. Nós fazemos um trabalho diário de atenção com essas pessoas, de qualificá-las, de levantar a autoestima por meio de uma fala positiva, dizendo que vai dar certo, que o tratamento é eficaz, que a pessoa vai ter a oportunidade de voltar a viver com qualidade”, pontuou o coordenador.
Na UAA, os acolhidos participam de atividades laborais, como o cultivo de hortas, cuidados com o pesqueiro, além de cursos profissionalizantes. Iniciado em 2017, o serviço já atendeu mais de 430 homens com dependência em álcool e outras drogas.
O tratamento é voluntário e 100% gratuito, mantido pela Prefeitura de Araguaína, por meio da Secretaria Municipal da Saúde. A porta de entrada para a unidade é pelo CAPS ADIII (Centro de Assistência Psicossocial – Álcool e Drogas), que faz a primeira avaliação e depois encaminha o paciente para a unidade.
“Isso mostra a preocupação e a valorização que o Município dá aos acolhidos. Eles ficam na UAA durante seis meses sendo assistidos por uma equipe multidisciplinar com médicos, psicólogos, terapeutas e enfermeiros para dar toda a assistência a essa família, porque não é só o acolhido, nós também tratamos a família desses acolhidos”, destacou a secretária de Saúde de Araguaína, Dênia Rodrigues Chagas.
Um futuro mais confiante
O coordenador Wagner Enoque lembra que muitas famílias se culpam por alguns de seus membros entrarem para o mundo do álcool e das drogas e que o trabalho após o tratamento é contínuo, garantindo que os recuperados não tenham recaídas.
“Por isso oferecemos esse acompanhamento, trabalhamos para reforçar o vínculo familiar mesmo, porque o tratamento não é só em seis meses, o tratamento é para o resto da vida. E o suporte da família é fundamental nesse processo”, disse Wagner.
“Daqui para frente, é erguer a cabeça, procurar um emprego e me manter na igreja com minha mãe. Ela me criou sozinha, ela cuidou de mim até hoje, então agora é hora de eu cuidar dela”, concluiu Neumarques, que pretende voltar a exercer os ofícios de serralheiro e pintor.
(Por: Ricardo Sottero | Fotos: Thiago Santos/SECOM Araguaína)